O Dreno Sub-Horizontal Profundo (DHP) é um dispositivo de drenagem interna utilizado para retirar água do interior de taludes, encostas, aterros e maciços terrosos ou rochosos, contribuindo para o rebaixamento do nível d'água e, principalmente, para a redução da poropressão.
A presença de água subterrânea pode exercer papel determinante na estabilidade de uma encosta. Com o aumento da poropressão, ocorre redução da tensão efetiva no solo e, consequentemente, da resistência disponível ao cisalhamento. O DHP atua diretamente nesse mecanismo ao interceptar caminhos de fluxo e conduzir a água para fora do maciço por gravidade.
Por essa razão, os DHPs são empregados tanto em obras preventivas de estabilização quanto na recuperação de áreas onde já existem surgências de água, movimentações, deformações ou processos de instabilidade associados às condições hidrogeológicas.
Em determinadas encostas, alterações geométricas ou estruturas de contenção isoladamente podem não resolver a causa da instabilidade quando o principal fator condicionante é a água existente no interior do maciço.
Essa situação é particularmente importante em depósitos coluvionares e materiais posicionados sobre contatos geológicos ou superfícies de menor permeabilidade, onde a água pode se acumular e produzir elevação significativa da carga hidráulica e da poropressão.
Nesses casos, a drenagem profunda pode representar uma das medidas mais eficientes para estabilização. Em situações nas quais o mecanismo de movimentação é predominantemente controlado pela água subterrânea, o rebaixamento das pressões internas pode ser decisivo para o aumento do fator de segurança da encosta.
A definição da quantidade, posicionamento, inclinação e comprimento dos drenos deve considerar as características geológicas, geotécnicas e hidrogeológicas do local e, quando disponíveis, os resultados de análises de estabilidade e do monitoramento da água subterrânea.
A instalação inicia pela execução de uma perfuração sub-horizontal no interior do maciço, normalmente com pequena inclinação ascendente em relação à horizontal, permitindo que a água captada seja conduzida até a superfície por gravidade.
O método de perfuração é definido conforme as características do material atravessado e pode envolver equipamentos adequados à perfuração em solo, materiais de alteração ou rocha.
Após a conclusão do furo, é introduzido um tubo drenante, normalmente constituído por trechos perfurados ou ranhurados, responsáveis pela entrada da água subterrânea. Conforme o projeto, o trecho filtrante pode receber envolvimento com material geossintético para reduzir o ingresso e o carreamento de partículas finas.
Próximo à face do talude é previsto um trecho adequado de saída e selagem, direcionando a vazão captada para o sistema de drenagem superficial ou para o ponto de descarga definido em projeto.
Os comprimentos variam conforme a geometria da encosta e a posição das zonas que se pretende drenar. Os DHPs podem possuir desde alguns metros até dezenas de metros de extensão, sendo tecnicamente possíveis drenos com comprimentos superiores a 40 m quando as condições geológicas, o projeto e os equipamentos empregados permitem essa execução.
Uma das vantagens do DHP é produzir uma intervenção relativamente localizada na superfície enquanto atua a vários metros de profundidade no interior do maciço.
Sua eficiência pode ser avaliada pelo acompanhamento das vazões descarregadas pelos drenos e, em projetos instrumentados, pela resposta de piezômetros ou indicadores de nível d'água instalados na encosta. A redução das cargas piezométricas após a implantação permite verificar o efeito produzido pelo sistema de drenagem.
Entretanto, o DHP não deve ser entendido como um dispositivo que permanece eficiente indefinidamente sem acompanhamento.
Com o passar do tempo, a capacidade de drenagem pode ser reduzida pelo acúmulo de partículas finas, precipitados minerais e materiais de origem biológica, além de eventuais deformações ou danos na tubulação.
Por isso, os drenos devem permanecer acessíveis para inspeção e receber manutenção e limpeza periódicas. Entre os procedimentos utilizados está a lavagem controlada do interior da tubulação com água, destinada à remoção de materiais acumulados e à recuperação da capacidade de escoamento.
A manutenção é especialmente importante em sistemas implantados como parte de uma solução de estabilização, pois a perda gradual de eficiência dos drenos pode provocar novamente a elevação do nível d'água e da poropressão no interior da encosta.